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Especialistas da COOTES falam sobre a técnica de reimplante e a qualidade de vida após a amputação 17/01/2019

Especialistas da COOTES falam sobre a técnica de reimplante e a qualidade de vida após a amputação

Realizar um reimplante de membro não é uma tarefa fácil. Exige bastante estudo, capacidade técnica, aparelhos instrumentais específicos para o procedimento, como microscópios e linhas específicas para o ponto cirúrgico, e material hospitalar de boa qualidade. No Espírito Santo, o questionamento dos profissionais da saúde é sobre a falta de estrutura dos hospitais públicos para realizar um reimplante.

O traumatologista e cirurgião de mão Fernando Ventin, explica que o procedimento é muito delicado e necessita de suporte. “Já realizei reimplante de dedos e de mãos, precisei contribuir com equipamentos próprios para a cirurgia porque os hospitais não possuíam. Este é um procedimento de urgência e o paciente precisa contar com a sorte de um médico ter os instrumentais para realizar o reimplante”.

Um exemplo, é o caso do marceneiro José Leocadio de Souza, que foi vítima de um acidente de trabalho. Ele teve a mão dilacerada por uma máquina policorte e precisou realizar com urgência um reimplante, no fim do ano passado.

 

O reimplante de membro

O médico especialista em cirurgia de mão, Leonardo Pancini explica que o reimplante é preciso quando uma parte do corpo é completamente amputada, sendo necessário unir todas as estruturas novamente. De acordo com Leonardo é essencial seguir uma sequência e começar pelo encurtamento do tamanho do osso e sua fixação para facilitar as ligações dos tendões: flexores, extensores e nervos. Feito isso, é reconstituído a parte vascular – segundo o especialista é o procedimento mais delicado da cirurgia porque é nesse processo que se ‘refaz’ artérias e veias. Quando se faz a ligadura vascular é restabelecido o fluxo sanguíneo e finalizado o procedimento com a estrutura de pele.

 

Durante entrevista o médico detalha o passo a passo do procedimento, confira: 

 

O traumatologista Fernando Ventin, comenta que é muito importante realizar a limpeza do membro amputado antes de iniciar o procedimento de reimplante, porque desta forma é possível prevenir a contaminação do paciente. O médico complementa dizendo que um bom condicionamento do membro facilita o processo.

Sobre a forma correta do acondicionamento da mão para a reimplantação do membro, o médico Leonardo Pancini explicou que é preciso seguir um passo a passo: “Deve-se lavar o membro com soro fisiológico, envolvê-lo em uma gaze ou compressa úmida, colocar dentro de um saco plástico e mergulhar num recipiente com gelo e água, de forma que ele fique condicionado numa temperatura de 0ºC até -4ºC. Isso vai permitir que você tenha um tempo maior para reimplantá-lo. O que também depende do membro, quanto maior o músculo, mais rápido ele necrosa”.

 

Tempo que um membro acondicionado pode aguardar até a reimplantação

Dedo: Até 12 horas após o trauma

Mão: Até 6 horas

Ante braço e braço: 2 a 3 horas.

Esse tempo para o reimplante é relacionado a um membro não acondicionado da forma correta. Quando ele é feito seguido o passo a passo do médico, o tempo que ele pode aguardar até a realização da cirurgia pode ser o dobro dos descritos acima.

 

Duração da cirurgia de reimplantação

Leonardo explica que o tempo varia de acordo com o membro amputado. “Para partes do corpo muito pequenas, em que os vasos são menores, chega ser necessário o uso do microscópio para a operação. Mas, em média, uma cirurgia de reimplantação varia de 6 até 12 horas”, conta o especialista.

 

Cuidados pré operatórios

Logo que acontece a amputação, deve-se tomar antibiótico para evitar infecção e perda do reimplante. Ao iniciar a cirurgia, é preciso usar anticoagulantes.

 

Cuidados pós operatórios

O membro deve ser envolto em um curativo frouxo e ficar com a tipoia. Deve-se evitar os movimentos porque eles podem romper as ligaduras. O ideal é que a mão fique na altura do coração e que o paciente siga uma dieta alimentar, evitando bebidas, alimentos e medicamentos que possam diminuir os vasos sanguíneos como cafeínas, chá preto e cigarro. O paciente deve sair do hospital medicado com anticoagulantes para evitar a trombose.

Os pontos são retirados geralmente 15 dias após a cirurgia, o membro deve ser mobilizado por um mês e a retirada de pinos pode ocorrer até dois meses após o procedimento.

 

Prognóstico da reimplantação

O retorno da mobilidade dos membros pode ser completo ou não apresentar nenhum resultado. Ouça a explicação do especialista:

O traumatologista Fernando Ventin, comenta que em geral, os reimplantes apresentam 80% de resultados positivos. “Depende de cada caso, dos cuidados que o paciente tem em casa, da realização de uma boa fisioterapia. O pós operatório depende de um cuidado multidisciplinar, que envolve cirurgião, equipe de enfermagem, fisioterapeuta e em alguns casos, acompanhamento do psicólogo, porque alguns pacientes sofreram sérios traumas com a amputação do membro”.

 

Fisioterapia

O traumatologista explica que no caso do reimplante de mão é necessário realizar uma reabilitação especializada em mãos. “São feitos movimentos passivos em que o fisioterapeuta puxa os dedos do paciente para cima e para baixo, no caso da ativa, o próprio paciente tenta realizar os movimentos, fechando e abrindo mãos e dedos. As massagens também são importantes para ajudar na formação da aderência no local do corte. Água morna e água fria ajudam ativar o músculo, diminuindo o edema”.

 

Esta matéria faz parte de uma série de notícias especiais sobre acidente de trabalho no Espírito Santo.

Fonte: Folha Vitória

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